quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Entrevista à Lucinha Araújo

   A pouco tempo por meio da minha Universidade fiz um trabalho que me deixou extasiado e muito entorpecido de felicidade e satisfação, que foi a minha primeira entrevista como futuro jornalista e ainda mais com o momento que a casa Viva Cazuza completa vinte anos. Isso ficará para sempre lembrado como minha primeira experiência profissional e não poderia ser de outra forma. Lucinha Araújo perdeu alguns minutos de sua movimentadíssima vida comigo, me concedendo um entrevista. Pena que não foi ao vivo, frente a frente como eu desejava (já estive com ela ao vivo mas não em entrevista) mas só saber que me respondeu e me foi solícita fico feliz. Trouxe a meu Blog e quero compartilhar com vocês a entrevista na íntegra como foi. Abraço à todos.



1. Quantas crianças se encontram hoje na instituição Viva Cazuza?
R: Hoje temos 20 abrigados, entre crianças e adolescentes, em regime de internato. Mas já passaram por aqui 71 crianças ao longo destes anos.

2. Quanto tempo tem a criança mais antiga da Viva Cazuza?
R: A criança mais antiga chegou aos 4 meses de idade e em janeiro completa 17 anos.

3. A idéia de abrir uma casa de acolhimento de crianças com HIV/AIDS, foi comentada alguma vez por Cazuza?
R: Não nunca tocamos nesse assunto, só falávamos do futuro pensando em sua saúde.

4. A Viva Cazuza recebe alguma verba governamental para a manutenção da casa?
R: Ocupamos um imóvel da Prefeitura Municipal da cidade do Rio de Janeiro, em cessão de uso. Hoje temos um convênio com a Secretaria Estadual de Saúde por tempo determinado, mas não é suficiente para a manutenção de nossos projetos. Para isso contamos com os direitos autorais de Cazuza, que cada dia diminui mais, com doações e eventos beneficentes.

5. Qual o sentimento de conviver diariamente com crianças portadoras de HIV, uma doença que levou seu filho?
R: Me divido em dois sentimentos completamente diferentes, mas ao mesmo tempo iguais: a satisfação de ver os remédios modernos lhes darem quantidade e qualidade de vida e o lamento de Cazuza não ter conseguido chegar até eles, mas tenho uma certeza: foi o melhor caminho que poderia ter seguido depois que meu filho morreu.

6. O que a senhora sente depois de vinte anos de funcionamento da Viva Cazuza?
R: Não diria que tenho o sentimento de dever cumprido porque nesse trabalho cada dia é diferente do outro, mas a única coisa que desejo é ter saúde para continuar nessa luta diária que faz parte da minha vida.

7. Todos nós sabemos da amizade do Ezequiel e o Cazuza. O que a Sra. Sentiu quando soube da morte dele no mesmo dia que Cazuza completava 20 anos de morto?
R: Foi uma coincidência infeliz. Quanto ao meu sentimento nada me abalou mais do que a morte de meu único filho.

8. A Casa recebe muita doação?
R: Como a AIDS saiu de moda as doações estão diminuindo. Hoje existe moda até para doença, é a gripe do frango, gripe suína e assim ficamos esquecidos.

9. Qual é o seu maior sonho em relação a Casa Viva Cazuza?
R: Que continue quando não estiver mais aqui e só acabe quando aparecer a cura da AIDS 

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