terça-feira, 24 de agosto de 2010

Um belo começo não merece esse fim

     Ao passar dos anos, venho acompanhando as transformações da música brasileira em todos os sentidos e estilos diferente que é peculiar à cultura de um país de dimensões continentais que é o Brasil. Sempre foi característica de nossa música o aparecimento de novas bandas que junto do contexto que se vivia o país no momento, rotulavam um movimento que ficaria imortalizado para sempre no cenário cultural do país. Nos anos 60 com o aparecimento da Bossa Nova, trazia com ela uma avalanche de novos compositores consagrados hoje como Chico Buarque, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, até então aspirantes ao talento que lhe brotavam ainda jovens.
   
   Com o golpe militar em 1964, a elitização da Bossa Nova começava a dar espaços para uma geração "raivosa" no sentido político da palavra, que censurada provaram que o talento e a atitude não se censurava na concepção da ideia do que se podia e não se podia pensar e agir. Essa geração nos trouxe a Tropicália e com ela talentos como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Nara Leão, etc. Os festivais da canção na virada dos anos 60 para o 70, mostraram que ali estava nascendo uma nova tendência cultural e comportamental na nossa sociedade. O Brasil repressor daquela época travava um pouco essa expansão talentosa e promissora de nossos músicos e intelectuais que foram exilados e torturados ao longo desse período negro do país.
   
     O Brasil sem saber, só deu mais combustível para o que vivia a acontecer nos anos 80, com o surgimentos de novas bandas totalmente politizadas e com muito a dizer. Filhos de uma geração repressora essas bandas lideradas por Barão Vermelho, Titãs, A Plebe Rude e Aborto Elétrico (que veio a se tornar Legião Urbana mais tarde), chegaram com o pé na porta anarquizando todo tipo de conceito musical que a "elite Bossa Nova" era rotulada pela sociedade.Com essas bandas vieram mais uma vez, uma arrebatada geração de grandes talentos poéticos como Renato Russo, Cazuza, Herbert Vianna, Lobão, Léo Jaime, que mais tarde se rotularia como "geração Coca-cola", inspirada em uma das poucas músicas datadas da Legião Urbana. Com ela veio a redemocratização e a sensação de missão cumprida daquela galera talentosa.
   
     Com os anos 90 veio uma certa inércia (talvez pelo relaxamento da repressão) no cenário musical brasileiro, e junto com ele, a música deixa de ser um pouco política e se torna um produto empresarial e lucrativo. O surgimento da MTV coloca a música em um patamar midiático e muda um pouco a visão que o jovem tinha da música até então. A música não era mais uma arma de expressão, e sim, uma opção cultural a ser consumida e cada vez mais presente no cotidiano dos jovens. Isso não quer dizer que não tenha aparecido talentos, vimos bandas como Skank, Raimundos, Planet Hemp, O Rappa, que mesmo seguindo outra linha de raciocínio musical, deixaram o seus nomes na história.
   
     Os anos 2000 chegaram e a inércia foi ainda maior, hoje em dia, bandas de uma música só se multiplicaram e empresários assolaram a mídia retornando à evolução que na época foi o "jaba" bombardeando o cenário com essas novas "teen bands" invadindo nosso dia dia e fidelizando perigosamente uma nova massa de manobra que compram seus discos e fazem cada vez mais adeptos que mais parecem "macacos adestrados".
   
     Hoje em dia é muito comum a expressão "Emo", o que seria "Emo"? me pego perguntando as vezes o que realmente querem que nós acreditamos que seja "Emo", e vi um absurdo vindo de um integrante dessas "teenbands" comparando o que seria "Emo" hoje. "Se Renato Russo estivesse vivo hoje, seria o Emo dos Emos", diz Tavares da Fresno. Ora, então uma banda que fala de amor agora é "Emo"? fala como se "Emo" fosse uma evolução da música romântica? só falta ele dizer que o Vinicius de Moraes foi o avô dos "Emos", sinceramente... não sou contra qualquer tipo de manifestação cultural, mas falta uma grande compreensão do o que seja música, querem nivelar tudo por baixo e fazem sem o menor pudor. eu acho que antes de se manifestar sobre uma obra ou tendência musical seria melhor pesquisar e pegar bases para que seja realmente coerente com o que se fala em público. Não tenho raiva desse garoto, pode ser que seja só um mal informado, mas a comparação é pejorativo musicalmente falando, vamos acrescentar a nossa história e não deixar que a forma de expressão musical que tanto nossos músicos lutaram, cair em mãos erradas de pessoas que usam a mídia de forma irresponsável.
   

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