quarta-feira, 12 de maio de 2010
O FIM DE UMA IDENTIDADE
É com pesar que venho aqui dizer do fim de um cenário musical e artístico do Rio de Janeiro e do Brasil que a mais de quatro décadas vem formando raízes históricas da cultura carioca, o Canecão. Essa semana a justiça deu ganho de causa a UFRJ que a 39 anos pleitiava na justiça o terreno que foi concebido por uma cervejaria desactivada, aos donos do Canecão na década de 60. O terreno faz parte do Campus da Praia Vermelha que fica ao lado da casa, um pólo universitário que também conta com a Uni Rio.
Logo no show de abertura o Canecão mostrava sua tendência de ser uma casa de espectáculo acima da média, o show da cantora Maysa contou com um sistema de iluminação moderníssima para a época. Ao longo dos anos se tornou um ícone de grandes apresentações como o show de Gilberto Gil e Gal Costa em "Doces Bárbaros", um sucesso de público e crítica e também artistas como Elis, Caetano, Edu Lobo, Tom Jobim, Vinicius de Moraes e Cazuza. Esse último fez em 1988 uma apresentação que se tornaria uma turnê e um programa de televisão "Faz parte do meu Show", foi praticamente uma despedida do público.
Não quero entrar no mérito político das causas que levaram a justiça a conceder novamente o terreno para a UFRJ ( até acho o pleito justo ), venho aqui só para mostrar o meu desagrado por assistir o fim de uma identidade do Rio de Janeiro no Brasil, o Canecão vai deixar os brasileiros, mas principalmente, os cariocas órfãos de uma geração politizada e ideológica que usavam seus palcos muitas vezes como púlpito contra toda superficialidade musical ( apesar de ultimamente isso ter se perdido na casa também ), mesmo com a garantia da UFRJ que o espaço não será desfeito uma era morre aqui, o que vem depois é página virada.
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